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São gêmeas e agora? Parte 2

Quando me mudei para minha casa teve um dia que eu não aguentava mais a carga toda em cima de mim e pensei: " Deus, eu não pedi gêmeos! Eu não estou aguentando!" No mesmo dia orei muito porque eu amava muito aquelas pequenas e não queria perdê-las. Mas eu estava ME perdendo.


Carrinho duplo amarrado em outro.


Coloquei na escolinha bem cedo com apenas 1 aninho, que acarretou em várias doenças, internações e stress mas infelizmente foi a única coisa que me fez me sentir EU novamente. Era quando eu conseguia cozinhar, limpar a casa, lavar roupa e ir na academia.


Elas eram muito tranquilas, o que pegava mesmo era a rotina árdua e intensa.




Meu esposo teve problemas no trabalho pois não conseguia se concentrar, quase foi demitido. Ter gêmeos é muito intenso. É estar mais que 24 horas atenta sem poder olhar pro lado.

Quando fizeram dois anos melhorou muito a parte da rotina pois já sabiam andar e falar os desejos delas. Mas aí veio o Terrible Two e foi até quase três anos com choros, batida de pés, colo, brigas. A palavra que resumi tudo é : INTENSO.

Por volta dos três anos o Terrible two foi nos deixando, elas finalmente começaram falar nossa língua, antes elas tinham vocabulário próprio que nem eu entendia rs.


16 pacotes de fraldas por mês

Eu acho que ainda não me encaixei nesse mundo gemelar. As pessoas olham e diz: Que benção! Elas são assim? assado? Fazem isso? e isso? 
Para mim que tive uma atrás da outra eu não vejo diferença entre gemelar e filhos de idades próximas( EXCETO a gestação, amamentação e cuidados diários claro).

Mas não tem diferença sabe? Aquela conexão louca, que um cái e o outro sente, que não conseguem viver sosinhos , que escolhem mesmas roupas. Acho que ainda são muito pequenas. Inclusive quando eram bebês elas ficavam super desconfortáveis de ficarem juntas no carrinho, gostavam de ficar cada uma no seu canto rs. A gente que colocava para dormir no mesmo berço para facilitar.

Hoje elas sentem muito pena da outra quando eu brigo, mas isso acontece com a Nicole também, então acredito que seja mais do relacionamento amoroso que nós temos.


Tem apenas uma coisa que observo. A Lívia quando está sem a irmã interioriza todos os sentimentos, ela chora só de lágrimas. Enquanto quando estão juntas ela é a que mais surta rs.

Eu amo ter minhas pequenas, mas não desejo ter gemelar novamente. Mas pareço ser excessão, pois nos grupos de gemelares as mulheres querem repetir tudo de novo kkkk.

Eu sigo aprendendo a como ser mãe dessas meninas, ainda tenho muitas dúvidas do mundo gemelar mas percebo que tem muitos mitos, histórias que são de outras pessoas. Não é receita de bolo, minhas filhas não vão, nem devem, ser iguais aos outros gemelares.

O que mais cerca uma mãe de gemelar é achar que eles são padronizados e se vocêvai ser mãe gemelar se prepare! Sempre vai haver as perguntas abaixo e já coloco as minhas respostas rs.

-São gêmeas? .....

-Quem é mais brava? ou mais calma? Depende do momento de stress, sono, fome...

- Elas ficam bem sosinhas? Ficam.

- Foi natural? Sim, mas porque importa saber?

- Você sabe quem é quem? Muitas vezes eu chuto.(Essa pergunta dói muito porque muitas das vezes erramos e as pessoas sempre dizem: ah! Claro! Mãe sempre sabe né? Não!)

- Ficam doentes ao mesmo tempo? Ficam, mas a família inteira fica rs.

- Elas sentem a dor da outra? Se está falando de empatia, sim. Todas têm.

- Fazem cocô juntas? Sim, isso eu não consigo explicar.

- Sentem fome juntas? Sim, mas aí toda a família sente né.

- Amamentou as duas juntas? Sim, por ser mais prático para mim.

-Acordam juntas? Sim, por causa da rotina da casa.

- Encerrou a fábrica? Quem cuida? Eu né, obrigada por lembrar.

- Como você dá conta? Ou você dá conta, ou sai correndo pelada na rua. Eu já quase decidi por sair pelada.

(Foto de Mayara Netto)

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